Navio fertiliza plânctons com ferro para frear aquecimento

22/01/2009

22 de janeiro de 2009 • 17h38 • atualizado às 18h39

Os plânctons poderiam absorver o CO2 presente na atmosfera com a ajuda da fertilização dos mares com ferro

Os plânctons poderiam absorver o CO2 presente na atmosfera com a ajuda da fertilização dos mares com ferro

Desde o início do mês de janeiro, o navio alemão Polarstern realiza importantes pesquisas científicas nos mares do sudoeste do Atlântico Sul. Com o objetivo de frear o aquecimento global, os pesquisadores lançam ferro ao mar para fertilizar as águas e provocar o aumento das populações de plânctons – pequenos organismos que flutuam nas correntes oceânicas. Depois, os pesquisadores pretendem avaliar se, com o crescimento das populações, a capacidade de absorção de dióxido de carbono (CO2) por estes organismos contribui de forma significativa para a diminuição do efeito estufa. Além de servir como base na alimentação de toda a vida oceânica, estas algas unicelulares que vivem na camada superficial dos mares, iluminadas pela luz do Sol, desempenham um papel fundamental na regulação da atmosfera de CO2, um dos principais gases causadores do efeito estufa, informou o diário português Público. Os cientistas acreditam que os fitoplânctons têm a capacidade de fixar o carbono e contribuir para a retirada da substância da atmosfera pelos oceanos, acrescenta o jornal português. Segundo os especialistas, o ferro poderia ajudar a transferir por algum tempo parte da poluição acumulada em quantidade alarmante na atmosfera para as profundezas do oceano. Nesta quinta-feira, cientistas alemães e indianos divulgaram a imagem microscópica de um grupo desses plânctons após serem atingidos pelo ferro liberado pela embarcação. Até o final da expedição, cerca de 6 t da substância devem ser lançadas. Em comunicado, os responsáveis pelo projeto Lohafex (“Loha”, que significa ferro em indiano e “fex”, que representa “Fertilization Experiment”) classificam os resultados da experiência como de “grande interesse” para o futuro. Apesar do otimismo de cientistas indianos e do Instituto Alemão Alfred Wegener de Investigação Polar e Marinha (AWI), eles admitiram que ainda é necessário um estudo a longo prazo para verificar os impactos no ambiente marinho. De acordo com o jornal espanhol EL Pais, o navio de 120 m de comprimento, considerado um dos mais avançados do mundo, já chegou à área principal de pesquisas. A missão, que integra biólogos, químicos e físicos de várias nacionalidades, teve início no dia 7 de janeiro na Cidade do Cabo, na África do Sul, e deve terminar no dia 17 de março, em Punta Arenas, no Chile.

Com informações da agência EFE

Redação Terra